Vida de oração

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Não rezamos direito porque não entendemos direito o que é “oração”. Várias coisas concorrem para isso.

Muitos depreciam a “oração feita” - as fórmulas - chamando-as de “reza”. De fato, repetir uma fórmula sem se prestar atenção ao que se diz, vale muito pouco. Não disse que nada vale, mas que vale muito pouco. Pois o homem não é apenas racional, nem apenas espiritual, mas consciente e inconsciente: o que se fala fica gravado. Daí que orações aprendidas na infância voltam logo à memória, e nos lembramos de conselhos ouvidos na adolescência quando enfim aprendemos a lição. Da mesma forma, ainda quando rezamos de má vontade, apenas repetindo palavras de uma oração sem dar atenção, intimamente somos impregnados por suas palavras; elas nos tocam, causam alguma coisa “lá dentro”. A alma pede, anseia por aquilo. A alma sabe quem é, e reconhece o que a aproxima de Deus.

Portanto, não desprezemos as “rezas”.

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Salmo 138

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Senhor, vós me perscrutais e me conheceis, sabeis tudo de mim, quando me sento ou me levanto. De longe penetrais meus pensamentos.
Quando ando e quando repouso, vós me vedes, observais todos os meus passos.
A palavra ainda me não chegou à língua, e já, Senhor, a conheceis toda.
Vós me cercais por trás e pela frente, e estendeis sobre mim a vossa mão.
Conhecimento assim maravilhoso me ultrapassa, ele é tão sublime que não posso atingi-lo.
Para onde irei, longe de vosso Espírito? Para onde fugir, apartado de vosso olhar?
Se subir até os céus, ali estareis; se descer à região dos mortos, lá vos encontrareis também.
Se tomar as asas da aurora, se me fixar nos confins do mar,
é ainda vossa mão que lá me levará, e vossa destra que me sustentará.

(1-10)

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E o culpado é…?

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Acho que ainda circula nas organizações uma piadinha em forma de fluxograma, pelo qual se procura resolver um problema qualquer: o primeiro passo do fluxograma é apontar um culpado pelo problema.

Na questão das células-tronco embrionárias, a mídia faz o miserável papel de desinformar e reduzir tudo a um antagonismo ciência-religião. Nesse cenário, a Igreja Católica (e por que só ela, eu pergunto?) é apontada como a culpada por não aceitar e ser contrária à manipulação de embriões humanos.

O problema desta questão é anterior a “o que fazer com os embriões congelados”; o problema começa um passo antes: na fertilização in vitro.

Daí surgem noções absurdas como “embriões inviáveis” e uma frase lapidar que ouvi hoje a esse respeito, de um sr. deputado, dando a entender que os embriões congelados não seriam naturalmente humanos porque não foram fruto de uma fecundação natural. Seria então, para esse deputado, o caso de cassar a Certidão de Nascimento de pessoas que nasceram dessa forma?

Não foi a Igreja Católica que criou esses problemas éticos. Foi a Ciência.

Mas também não importa saber quem foi ou quem é o culpado. Trata-se de um problema a resolver agora, e que já traz conseqüências sérias. Quantas outras ainda trará?

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Falta de confiança

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“Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”, disse São Pedro ao Senhor.

Não sei se os apóstolos tinham noção do que esperar desse seguimento de Jesus. Até na Ascensão ainda tinha um ou outro meio em dúvida e perguntando sobre a restauração do reino de Israel! Mas não se pode questionar uma coisa: com tudo o que viveram, ora compreendendo alguma coisinha, ora não entendendo absolutamente nada, eles continuavam com Jesus porque confiavam. O Pentecostes aconteceu porque: 1) permaneceram unidos em oração; 2) obedeceram à ordem de Jesus de permanecerem em Jerusalém; 3) confiaram na palavra de Jesus sobre a vinda do Paráclito.

Acredito que seja um caminho: 1) oração - 2) obediência - 3) confiança. Se está faltando confiança, favor praticar os itens precedentes.

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Santo só sofre?

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Há questionamentos que parecem pergunta de criança. Confesso que fico meio escandalizada, por não esperar essa falta de amadurecimento. Mas procuro pensar que isso é julgamento meu, e que só fico espantada porque nunca pensei da mesma forma. Por exemplo:

- Gente gorda não é santa porque come muito?
- Gente que está sempre bem arrumada é vaidosa e por isso não é santa?
- Gente que está sempre com cara feliz não tem problemas nem sofrimento, e por isso está longe de ser santa?

Se você não acha estranho fazer essas perguntas, me diga.

Houve um santo que, no final da vida, preparando-se já para a Unção dos Enfermos, caiu em prantos, sorrindo e dizendo:

- Enganaste-me, Senhor! Pensei que seguir-te seria só sofrimento e amargura, e no entanto só recebi doçuras e alegrias! Enganaste-me!

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Providência Divina

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Provavelmente haja muito poucas pessoas hoje em dia que estão livres de preocupações com contas a pagar. Pelo menos um pensamentozinho escapa de vez em quando: “Será que o dinheiro vai dar?” E haja contas! Malabarismos de cartões de crédito e transferências bancárias, tomando cuidado pra não “vestir um santo e desvestir outro”.

Confesso que eu não tive esse tipo de preocupação por um bom tempo. Mas comecei a confiar demais na poupança e agora estou caindo na real: um dia, a grana termina. Fiquei de certo modo satisfeita com essa situação, porque eu me via - como disse - confiando no dinheiro guardado. É fácil confiar na Providência quando parecemos “não precisar” dela!

Como ainda contam com meu dinheiro em casa, e eu não comentei a real situação financeira do momento (estou errada, eu sei… abrirei o jogo), estive espremendo o cérebro, pensando no que fazer para conseguir R$ o mais rápido possível.

Não consegui encontrar uma solução para o “mais rápido possível”, mas a Providência Divina sim: minha mãe recebeu ontem a restituição de um dinheiro, por uma ação judicial.

Graças a Deus!

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Pão dos fortes

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Salve!Sempre achei curioso chamar a Eucaristia de pão dos fortes. Para mim, dava a impressão de que somente os corajosos e dispostos aos sacrifícios é que comungavam.

Demorou para eu ter a percepção de que minha impressão era correta, mas não da maneira que eu pensava: quem comunga verdadeiramente está sempre inquieto, impelido a algo, está buscando ou transbordando coragem, desejando ou procurando desejar o sacrifício, porque já se deixou levar por Deus.

Deixar-se levar por Deus é um ato de fé, uma fé encarnada que se traduz em coragem. Não poderia ser diferente, nessas pessoas, o efeito da Comunhão! Tornam-se fortes porque alimentam-se do Forte. Pois se somos o que comemos, tornamo-nos cada vez mais outros Cristos na terra.

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“…é a esperança cega em Sua Misericórdia”

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Quem começa a se soltar no seguimento de Jesus, por vezes se depara com contradições muito fortes. Experimenta na carne a profecia de Simeão (cf. Lc 2, 34-35a) e percebe que não pode escapar de situações nas quais nossa sinceridade é provada. Estamos com Cristo ou contra Ele? Somos muito iludidos, pensando que é possível conciliar o mundo e Deus. São senhores opostos.

Ao passar por essas provações, sentimo-nos “perdidos”: mas o que vemos estar perdendo são os apegos que nos fariam perder o Caminho. É preciso abrir mão e confiar em Deus. Precisamos aprender a esperar em Deus.

Temos tudo aquilo de que precisamos para passar por essas fases difíceis; um ponto essencial é a vida de oração (que inclui a Santa Missa), da qual voltarei a falar aqui mais vezes. Outro ponto é a Adoração Eucarística. Devemos parar de resistir a essas práticas de devoção, porque elas nos sustentam.

Vamos todos aos pés de Jesus Sacramentado! Ele tem as Mãos cheias de graças, bênçãos e bens inesgotáveis. Ele deseja nos dar tudo, com abundância, além de nossas expectativas. Se não colocamos nossa Esperança nAquele que mais nos ama, o que será de nós?

Jesus nos quer ao redor de Seus Sacrários!

Graças e louvores se dêem a todo momento
ao Santíssimo e diviníssimo Sacramento!

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“O que agrada a Deus em minha pequena alma…”

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“…é que eu ame minha pequenez
e minha pobreza.”

Estou com essa música colada no ouvido, estes dias.
Há momentos em que as coisas não valem a pena por elas mesmas, nem pelo que esperamos delas; só valem a pena porque sabemos que Deus quer alguma coisa boa daquilo. E nesses momentos fico querendo ser muito, muito pequena. Tão pequena que nem me percebam, tão pequena que eu não atrapalhe as coisas que devem acontecer.
Há pessoas que pretendem ter tudo sob controle, e então mordem, arranham, ferem os outros e se desesperam. Não tenho a pretensão de controlar tudo, nem quero isso. Só quero que o que é bom aconteça, e sei que nem tudo depende de mim.
Afinal, quando sofremos, é sempre por egoísmo: egoísmo dos outros ou nosso mesmo. Mas é sempre por egoísmo.
Entrego tudo nas mãos de Deus e procuro fazer o que está ao meu alcance.

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