Viver a fé é uma luta espiritual, sabemos. Já experimentamos isso ou pelo menos ouvimos falar. Mas que houvesse nisso um esforço físico envolvido, eu nem imaginava! Descobri isso há muito pouco tempo. Cheguei em casa no final do dia e estava pensando no que ainda teria que fazer, sem querer pensar em dormir porque muitas coisas precisariam estar feitas para o dia seguinte. E não eram coisas para meu trabalho ou lazer, nem mesmo para meu próprio bem-estar: era uma urgência superior ao meu cansaço, que nem me permitia pensar em conforto e descanso naquele momento. Não me lembro se era preparação de alguma novena, mas apenas que havia uma urgência, era preciso preparar materiais, fazer divulgações, e não perder tempo.

Foi então que as palavras de São Paulo fizeram sentido real para mim:

«Todos os atletas se impõem a si muitas privações; e o fazem para alcançar uma coroa corruptível. Nós o fazemos por uma coroa incorruptível.» (I Cor 9, 25)

E é uma coisa estranha, porque isso não nos dá uma sensação de engrandecimento, de ser melhor que outros, não! É a sensação de servo inútil, tão inútil que precisa se esforçar muito para fazer simplesmente o que tem que fazer. De fato, é muito nítido que aquilo que nos impele a realizar certas coisas é a própria urgência de Deus. Nas palavras de São Paulo aos Efésios,

«Somos obra sua, criados em Jesus Cristo para as boas ações, que Deus de antemão preparou para que nós as praticássemos.» (Ef 2,10)

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